Presidente da República Centro-Africana, Touadera, é reeleito

Faustin-Archange Touadera ganhou um segundo mandato em uma eleição que teve como pano de fundo a violência de grupos rebeldes. Uma investigação foi lançada sobre o ex-presidente Bozize, que foi acusado de um golpe.

O presidente Faustin-Archange Touadera, ao centro, fala à mídia depois de votar na seção de votação do Lycée Boganda na capital Bangui, República Centro-Africana, domingo, 27 de dezembro de 2020. (Foto AP)

Faustin-Archange Touadera foi reeleito presidente da República Centro-Africana com mais de 53% dos votos, de acordo com os resultados provisórios divulgados na segunda-feira.

As eleições de 27 de dezembro e suas consequências foram marcadas pela violência, com grupos rebeldes tentando tomar conta da cidade de Bangassou antes do anúncio dos resultados.

O presidente de 63 anos está no poder desde 2016, mas tem lutado para tomar o controle de vastas partes do país das milícias armadas.

Os resultados ainda deverão ser validados oficialmente pelo Tribunal Constitucional, que processará eventuais recursos.

Ataques rebeldes na eleição

Touadera atribuiu grande parte da agitação eleitoral ao ex-presidente François Bozize. A candidatura do ex-líder foi rejeitada pelo tribunal superior do país com o fundamento de que ele não satisfazia o requisito de boa moralidade.

À frente desta associação de criminosos está o ex-presidente François Bozize, apoiado por seus aliados políticos. Os ataques visavam derrubar as instituições da República e pôr fim ao processo democrático e, finalmente, estabelecer uma primeira transição, disse Touadera, de acordo com a Associated Press.

A República Centro-Africana viu ondas de violência desde a expulsão de Bozize em 2013, que resultaram na morte de milhares e mais de um milhão de pessoas sendo forçadas a fugir de suas casas.

Foi lançada uma investigação sobre Bozize e seus cúmplices por seu suposto papel nas interrupções do processo eleitoral.

A missão das Nações Unidas ao país se manifestou contra a violência. Mankeur Ndiaye, chefe da missão da ONU, disse: Não há dúvida de que esses ataques estão ocorrendo em um contexto de interrupção das eleições - antes, durante e depois das urnas.

A República Centro-Africana, produtora de ouro e diamantes, tem 4,7 milhões de habitantes.